Sobre

Histórico

Na década de 70, na Arquidiocese de Porto Alegre, já havia a Pastoral da Juventude (PJ), muito unida à Ação Católica. Seu método estava baseado no “ver, julgar e agir”, e contemplava todos os segmentos da juventude. De maneira que já existiam vários grupos com distintos carismas.

Na Igreja São Pedro, de Porto Alegre existia um grupo de 60 crismandos. Era uma esperança para aquela comunidade. Os encontros da catequese de Crisma foram bem preparados. Os jovens eram preciosos, de grande inteligência, porém lhes faltava a vivência cristã coerente no mundo, como posteriormente iria proclamar o Concílio Vaticano II, para todos os cristãos. Conheciam os conteúdos da fé, mas não eram capazes de transformá-los em vivência.

Em maio de 1973, algumas pessoas, entre elas, jovens do Emaús, coordenadas pelo Pe. Zeno Hastenteufel prepararam um “retiro de crismandos”. O encontro foi programado de maneira semelhante ao Emaús, com músicas próprias, sendo que cada grupo possuía monitores, bem como a participação de um casal. Nos dias 14 e 15 de julho daquele ano de 1973, com 19 jovens, 8 monitores, um casal e a Ir. Jocélia dirigiram-se à Casa de Retiros da Medianeira para o “Retiro de crismandos”. O objetivo do retiro era apresentar Cristo, vivo e ressuscitado, de tal maneira que fosse capaz de empolgar aos jovens ali presentes e que a partir deste encontro fossem capazes de assumir Cristo como o "Ideal" de suas vidas. No entanto não havia um roteiro claro, tal como hoje o temos.

Tudo correu normalmente. E a proposta foi eficaz, pois os jovens desejaram fazer mais retiros para crismandos. Depois de uma pesquisa entre os próprios jovens, surgiu o nome para este retiro: CLJ, Curso de Liderança Juvenil. O segundo CLJ foi realizado no mesmo ano no mês de novembro.

Com muito empenho, foi preparado o segundo CLJ, para os dias 13, 14 e 15 de novembro de 1973. Já começaria na sexta-feira de noite. Neste momento já existia um livro de cantos próprio e o grupo que iria participar era maior. Foram para o curso 55 jovens. Pouco a pouco o CLJ foi sendo conhecido e foi crescendo. Ao chegar a época de férias os jovens não deixaram de encontrar-se continuaram perseverando. Faziam suas reuniões nas praias gaúchas; não se perdeu ninguém.

Todos voltaram em março, com mais entusiasmo ainda; estavam esperando o terceiro CLJ. A fama se espalhou pela cidade. O Pe. Severino Brum, da Cidade Baixa, que há anos estava tentando uma pastoral para os jovens, com iniciativas espetaculares, ficou sabendo e queria participar do terceiro CLJ. Queriam apenas observar e levar uns 20 jovens e um casal de tios. Fizeram várias reuniões e seria necessário falar com os Bispos. O Pe. Severino foi ao encontro de Dom Antônio Cheuiche e o Pe. Zeno, à Dom Vicente, Cardeal Scherer. Este último ficou um pouco assustado. Já tinha ouvido falar nos “abraços e beijos”, coisa nova na Igreja de Porto Alegre. Mas, ao final proferiu: “Pe. Zeno, continue com a minha bênção. Se este movimento vem de Deus, vai progredir e dele surgirão vocações para o sacerdócio e a vida religiosa; se não vem de Deus, em pouco tempo vamos acabar com isso antes que seja tarde”. Após uma reunião com Dom Antônio, participando o Pe. Severino, o casal José Carlos e Eunice Monteiro, Ir. Jocélia e três ou quatro jovens, o CLJ foi reconhecido como Movimento Arquidiocesano”, aberto para as paróquias que o quisessem implantar.

Era hora de organizar tudo, sobretudo o esquema geral do curso. Assim, o CLJ foi se firmando como “momento”, enquanto curso de apenas três dias, e como “movimento”, enquanto grupo fixo e estável que vai trabalhando como pastoral de jovens, onde sempre estava muito presente a grande frase do Papa Paulo VI: “É preciso que o jovem seja apóstolo de jovens”. Em pouco tempo, o CLJ foi espalhando-se pelas Paróquias de Porto Alegre, depois para as dioceses sufragâneas e, hoje, está espalhado por grande parte do Rio Grande do Sul.